23 de outubro de 2009
I feel emaciated
Hard to breathe I try and try
I'll get asphyxiated
Swinging from the tallest height
with nothing left to hold on to
Every sky is blue
but not for me and you
20 de setembro de 2009
31 de julho de 2009
I've spent too long on your trail
10 de julho de 2009
25 de junho de 2009
Minha voz na voz do vento indo em busca do teu vulto
E o meu verso em pedaços só querendo o teu perdão
Eu me perco nos teus passos
22 de junho de 2009
À beira da sinestesia.
O copo vazio em cima da mesa descansava ao lado dela. Ela descansava sentada na cadeira, apoiando a cabeça na parede gelada de azulejos azuis. Azul esse mais claro que o azul de seus olhos, olhos úmidos de lágrimas, olhos vermelhos - o mesmo vermelho do vinho que até pouco tempo descansava dentro do copo agora vazio. Os olhos ardiam como ardia o líquido vermelho descendo pela garganta - dentro da cabeça os pensamentos giravam, e não era de todo culpa daquilo que outrora descansava no copo. Horas atrás, ao invés do copo, descansava um telefone preto em cima da mesa - da mesma cor da maquiagem que agora sujava seus olhos. O telefone preto tinha acabado de ser desligado quando as lágrimas começaram a correr pelo rosto - e o líquido vermelho pela garganta. Garganta esta que tinha agora um nó, firme, que contrastava com seu corpo, flácido, sem controle. Os pés não conseguiam se firmar no chão - talvez por serem apenas dois. A mesa - que apoiava o copo - tinha quatro, o que a tornava mais firme... Mas para se sustentar precisaria somente de três - o número de anos que passou ao lado de quem estava do outro lado do telefone preto.
21 de junho de 2009
24 de maio de 2009
8 de maio de 2009
10 de abril de 2009
8 de abril de 2009
22 de março de 2009
as-tu déjà croqué la pomme à pleine dent?
pour la saveur du fruit, sa douceur et son zeste
t'es tu perdu souvent?
- oui, j'ai déjà aimé pour la beauté du geste
mais la pomme était dure, je m'y suis cassé les dents
ces passions immatures, ces amours indigestes
m'ont écoeuré souvent.
8 de março de 2009
28 de fevereiro de 2009
2 de fevereiro de 2009
24 de janeiro de 2009
As coisas tinham mudado nesses quatro anos de distância, era o fim.
Não conseguiu dormir e foi para a rodoviária de madrugada... O frio fazia com que ela tremesse por inteiro e não sentisse os espasmos nervosos do estômago.
Amanheceu, tomou café e pegou o ônibus. Não conseguiu dormir novamente, e o solavanco da estrada a enjoava ainda mais... Estava viajando rumo ao inferno dos seus relacionamentos passados. O casal que estava sentado no banco da frente planejava o que faria no feriado com leveza e felicidade, aquele ânimo que só os recém-apaixonados conhecem. Invejou-os a viagem inteira, até que conseguisse dormir, e então sua imaginação se encarregou de trabalhar para que se confortasse com o que poderia ter acontecido.
Chegou à rodoviária depois de horas de clausura. Lá estava ele, esperando, com um sorriso tímido e exalando um nervosismo adolescente. Ela desceu, pegou as malas e o comprimentou com um beijo no rosto. O medo de não saber o que falar foi logo espantado quando a conversa começou - e foi então que os dois perceberam o quanto ainda podiam ficar juntos.
Jantaram em um restaurante de comida típica goiana, falaram sobre o quanto tudo não mudou, o que fizeram. A vida dos dois continuava o mesmo marasmo, a mesma falta de dinheiro, os mesmos problemas com a família - o que mudava era a distância entre eles.
Foram pra casa dele, dormiram juntos e não foi tão bom quanto o esperado. Com o passar dos dias, o ânimo do começo começou a se esvair e o casal foi tomado por um desespero profundo.
Ele desejava que ela fosse logo embora pra que pudesse retomar sua vida, ela queria pegar o próximo ônibus para sua cidade e aproveitar sua solidão em seu apartamento. Tomando a iniciativa, ela comprou a passagem de volta e o avisou com cautela, inventando alguma mentira sensível a respeito dos prazos de entrega de trabalho e a falta de dinheiro. Ele elegantemente se fez de difícil, mas logo cedeu à sua saída. A despedida foi fria e confortante, ambos pareciam flutuar ao sair daquela rodoviária suja.
Desta vez dormiu sossegadamente na viagem de volta.
Morreu ela e mais trinta e dois numa das curvas da estrada.
18 de janeiro de 2009
caminhava devagar debaixo do sol, com seu jeito despretencioso. quando te vi de costas, sabia que era você pelo jeito único de andar... seu rosto pouco pude ver com a pressa do ônibus.
aquela imagem de poucos dias antes de sua partida ficou ali, num canto próximo da minha memória, e eu a retomo todas as vezes que eu mais preciso - o conforto que sua lembrança me traz é tão real que alarga meus dias tão estreitos.
foi aí que finalmente encontrei a resposta de "o que restou de você em mim", o que me leva sempre a perguntar "o que restou de mim em você"...
4 de janeiro de 2009
except when soft rains fall and drip from leaves
then i recall the thrill of being sheltered in your arms - of course, i do
but i get along without you very well
i've forgotten you just like i should - of course, i have
except to hear your name or someone's laugh, that is the same
but i've forgotten you just like i should
what a guy, what a fool am i to think my breaking heart could kid the moon?
what's in store? should i phone once more?
no, it's best that i stick to my tune
2 de janeiro de 2009
15 de dezembro de 2008
inquietante, provocadora.
aquilo que ali surge normalmente te traduz, representa o que você está sentindo, sempre sente, quer sentir - ou não, tanto faz.
um dia você se sente vazio e resolve escrever alguma coisa para se expressar - e é aí que você descobre que a folha em branco diz muito do jeito que ela é.
29 de novembro de 2008
tudo começou com um telefonema, um convite para ir a uma aula de dança de salão, outro para ir a um café com um grupo de tango e, finalmente, o de ir à casa dela. ele estranhou a audácia da moça, não gostava de mulheres que se atiravam e fazia comentários um tanto quanto maus a respeito de sua insistência - mas mesmo assim aceitou todos os convites. depois desses vieram mais alguns encontros casuais, mas parecia que ela estava se afastando lentamente, como se o interesse estivesse acabando - o que o deixou intrigado. passou a ligar pra ela toda semana, reforçando o laço entre os dois - saíam, iam ao cinema, jantavam juntos, passavam os finais de semana um na casa do outro.
o relacionamento, que começou como qualquer outro efêmero, tomava agora outro rumo (aquele perigoso do comprimisso, da monogamia). sentou uma tarde pra conversar com ela e resolveu terminar tudo, colocar um ponto final em algo que, obviamente, tinha ido longe demais. ela chorou e esbravejou que devia saber, que sempre soube, que foi claro quem ele era desde o início e alguns outros clichês ambíguos - foi embora triste e se recuperou em três meses.
outros meses se passaram, ela mudou de país para terminar a faculdade e ele continuou na mesma vida... descobriu que dispensou alguém importante, já que nunca sentiu nada semelhante por nenhuma outra. se agarrou a essa memória e tornou-se um velho egoísta, amargo e nostálgico.
31 de outubro de 2008
27 de outubro de 2008
era bonita, de fato, mas não encantava... era apenas bonita, do tipo que não faria alguém segui-la com o olhar pela rua. cabelos longos, pele macia, nunca usava perfume - e se usasse não faria a menor diferença, os feromônios combinavam, ponto final.
a questão é que não sabia o motivo, mas era ela e estavam juntos agora.
na verdade, nem tanto.
a maldita mania de enjoar das pessoas, a mania que o acompanhava desde sempre. a vez dela tinha chegado. não sabia o porquê, mas tinha chegado e simplesmente não suportava sua presença, sua voz, seu cheiro.
não sabia o porquê, mas era a vez dela (e talvez a perdesse por isso).
depois dizem que manias é coisa de gente velha...